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Economia

Por que colaborar é melhor que competir, até entre concorrentes

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Nos negócios, a colaboração pode surgir de diferentes maneiras, como, por exemplo, no compartilhamento de recursos. Um exemplo interessante é o do Jornal Estadão e da Folha, que entregam seus jornais com os mesmos caminhões já há alguns anos. Concorrentes ferozes nos anos 1990, inclusive para ver quem chegava primeiro às bancas, a crise dessas empresas fez com que elas percebessem que era muito mais vantajoso juntar forças nessa questão operacional e continuar concorrendo naquilo que é realmente o seu negócio: a produção de conteúdo.

Aliás, a concorrência cada vez mais acirrada é hoje uma grande impulsionadora para a colaboração. Mas nem sempre foi assim. O ditado “farinha pouca, meu pirão primeiro” explica o pensamento ainda dominante no mundo empresarial, que preconiza que, se o mercado está pequeno, se os recursos são escassos, o melhor a fazer é pisar na cabeça do concorrente e, se possível, tirá-lo do negócio.

Nada mais equivocado!

O segredo é Colabore no essencial, concorra no diferencial.

Empresas que já aprenderam a surfar nesse novo mundo colaboram até mesmo no desenvolvimento de seus produtos. Isso é possível porque produtos semelhantes costumam ter características básicas iguais entre si. O que os diferencia é o refinamento que surge acima disso. Se ele é similar entre concorrentes, por que então não juntarem suas forças nessa etapa?

Os benefícios imediatos são uma considerável redução nos custos e aumento na agilidade no desenvolvimento. Claro que será necessária a criação de mecanismos para evitar que segredos industriais e comerciais vazem. Mas isso já faz parte do negócio, e a criação de processos bem definidos pode eliminar esse risco.

Mas há quem vá ainda além e construa negócios abertos e compartilhados.

Algumas companhias vão além disso e adotam o conceito de “open business”. Derivado do “movimento open”, essas companhias possuem uma gestão colaborativa, onde funcionários e até mesmo consumidores participam da tomada de decisões em uma escala inimaginável para empresas tradicionais. Até mesmo as finanças são apresentadas de maneiras transparente.

Parte desses conceitos podem ser encontrados em empresas da chamada economia compartilhada, que tem no Uber e no AirBnB algumas de suas maiores estrelas. Essas companhias e seus modelos de negócios estão redefinindo alguns pilares do capitalismo.

Talvez a mudança mais dramática que isso promova seja a construção de uma consciência de que não é mais necessário ter algo para usufruir de seus benefícios. O exemplo clássico disso é a furadeira. Quem tem uma em casa sabe que ela é usada muito, muito raramente. Então por que precisamos comprar uma?

O Uber partiu desse princípio para criar um negócio com milhares de pessoas que têm um recurso ocioso (no caso, um carro) e decidem ganhar algum dinheiro com isso. Por outro lado, um número ainda maior de consumidores pode usufruir de um serviço de transporte diferenciado sem precisar comprar um automóvel.

A Colabore, empresa de educação empresarial que visa levar os conceitos e valores da colaboração onde atua, tem algumas experiências com este compartilhamento entre seus clientes. Além de frequentemente um indicar nosso trabalho para o outro, eles organizam suas agendas para que possamos otimizar o nosso tempo de deslocamento e isso gera uma economia de logística imediata para as empresas que nos contratam.

Portanto, diante de tudo isso, se os negócios estão difíceis, eu sugiro fortemente que você considere a possibilidade de trabalhar com outras empresas, mesmo que sejam concorrentes. Essa divisão do fardo pode deixar todos mais ágeis. E aí todo mundo ganha: as próprias empresas, seus colaboradores e a sociedade, que fica mais moderna, humana e muito mais colaborativa.

Case: Restaurante São Pedro oferece Educação Financeira para seus colaboradores

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Educação Financeira – Organizar para realizar sonhos

 

Na última semana os colaboradores do Restaurante São Pedro no Distrito de Congonhas, tiveram a oportunidade de receber orientações e conhecimentos sobre a administração das finanças familiares, a fim de possibilitar uma melhor utilização dos recursos financeiros, garantindo que se tenha, hoje e no futuro, segurança material, mais qualidade de vida e as condições para uma vida feliz.

O módulo de Educação Financeira faz parte do Programa de Desenvolvimento de Equipes realizado todos os meses pela Colabore junto a equipe desta empresa. O trabalho vem sendo desenvolvido a mais de um ano e os temas são personalizados, conforme diagnóstico atual da empresa.

O grupo foi convidado para uma reflexão sobre o que cada um almeja para sua vida, lembrando o quanto o aspecto financeiro impacta na realização dos sonhos e aspirações de cada um de nós. E foi possível concluir que a educação financeira é uma ferramenta essencial para atingirmos o nível de qualidade de vida que desejamos para nós e para as pessoas que amamos. O dinheiro é sempre um meio, e não um fim para alcançarmos as nossas realizações.

O conceito central trabalhado é que tão importante quanto saber ganhar é saber gastar de acordo com nosso perfil e nossos objetivos de vida. E o único segredo para se ter uma vida financeira saudável é gastar menos do que se ganha.

Porém para eu conseguir me organizar é preciso saber o quanto realmente eu tenho de entradas (receitas) e o quanto eu tenho de saídas (despesas).  Para isso, disponibilização a ferramenta de controle de gastos diários. Com esta ferramenta aplicada, será possível aos participantes: Saber o que realmente pode fazer com sua renda; identificar e eliminar gastos desnecessários;

Todos nós podemos diminuir nossos custos para que sobre mais dinheiro no final do mês. Há pessoas que pensam não haver como cortar custos, já que o orçamento está apertado. Porém, dá para todo mundo achar um jeito de diminuir custos. Para diminuir os custos é preciso abrir mão de certas coisas no curto prazo para depois poder obter outras mais importantes.

Os participantes receberão acompanhamento durante os próximos dias para que se habituem a utilizar a ferramenta de controle de gastos diários e diante deste diagnóstico poderão sonhar e melhor ainda, realizar seus sonhos.

 

A Liderança Colaborativa

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O mercado empresarial não tem mais dúvidas de que o atual cenário exige que se tenha, em qualquer área, uma nova forma de pensar, novas pessoas, novos perfis e novas competências. E, dentro dessas novas formas de pensar, encontra-se a colaboração entre os líderes na busca de oportunidades.

Mais do que apenas atuar como uma equipe nas crises, as altas lideranças dentro das empresas devem trabalhar de forma colaborativa para aproveitar as oportunidades do momento.

Faz-se necessário uma nova postura dos líderes da nova geração afim de garantir a sustentabilidade do seu negócio.

Você já parou para pensar como seria o nosso mundo sem a Colaboração e a Cooperação?

Como seriam os transportes de hoje se o invento da roda não fosse compartilhado? Como seria a nossa saúde se as drogas que combatem muitas doenças não fossem compartilhadas?

A nossa essência é cooperativa.

A Colaboração e a Cooperação, longe de serem uma utopia, estão no centro de nossas atividades mais inovadoras em ciência, cultura e negócios.

O modelo colaborativo é cada vez mais presente, graças à sociedade em rede, e será o modelo de futuro.

A hierarquia é substituída pelo diálogo, os processos são substituídos pelos valores. A tomada de decisão, renda, poder, recursos, conhecimento são compartilhados. Neste modelo estamos em rede, todos somos protagonistas, somos coautores, e, portanto, corresponsáveis.

Com a consciência de que a vida flui em rede, muitos já começaram a adotar modelos colaborativos guiados pelo bom senso do coletivo e do compartilhamento.  Wikipédia Uber, Airbnb, são algumas das inúmeras iniciativas que sequer existiriam fora desse modelo.

A cada dia, aumenta o reconhecimento de que o que mais importa para nós vem de relacionamentos e para que esses vínculos se estabeleçam, precisamos trocar o domínio da competição e do medo por ambientes e processos de cooperação e confiança.

O sucesso evolutivo depende da nossa capacidade para solução de problemas complexos.

A Ciência já comprovou que isso somente será possível mediante cooperação (onde todos ganham), e não competição (um ganha, outro perde).

O comportamento humano está em evolução e com a economia não seria diferente.

O capitalismo está dando à luz a um novo sistema econômico chamado Economia Colaborativa e já está mudando o modo como nos organizamos, democratizando a economia e criando uma sociedade muito mais sustentável.

Frente essa nova economia, o futuro do trabalho como nós conhecemos está mudando de uma abordagem autoritária ultrapassada para esquemas colaborativos.

As empresas, seus administradores e seus funcionários precisam se adaptar a isso para sua sobrevivência.

Uma empresa colaborativa basicamente consiste nisso: ela engaja o seu time interno com parceiros e clientes, fazendo com que eles tenham voz ativa o tempo inteiro e sejam capazes de ampliar a gestão do conhecimento e incentivar a aprendizagem social.

Segundo o site da Harvard Business Review Brasil, um número crescente de empresas já está colhendo os frutos desse modelo colaborativo no ambiente de trabalho, como a IBM, Citibank, NASA e 3M. Elas conseguiram reduzir taxas de erro em 75% em seis anos e registraram um aumento anual de 10% na produtividade, ao mesmo tempo tornando os produtos mais inovadores e tecnologicamente sofisticados.

Para estimular a colaboração empresarial. A nova liderança deve tomar novas iniciativas organizacionais como:

  • Definir e criar um propósito comum;
  • Cultivar a ética da contribuição para gerar confiança entre os seus funcionários;
  • Desenvolver processos que permitam às pessoas trabalhar juntas em projetos flexíveis, mas disciplinados;
  • Criar uma infraestrutura na qual a colaboração seja valorizada e recompensada.

Desenvolver comportamentos colaborativos, compartilhar e incentivar o compartilhamento de ideias, tomar decisões colaborativas e construir projetos colaborativos são competências necessárias ao líder que quer manter a sustentabilidade da empresa nesse novo cenário econômico.

Este tipo de liderança é extremamente novo nas organizações mundiais, mas está se tornando cada vez mais importante por uma série de razões bem documentadas: a mudança das estruturas organizacionais hierárquicas para horizontais; estruturas organizacionais achatadas; a tecnologia da informação, que permite às pessoas se comunicarem mais facilmente através das fronteiras; aumento da complexidade dos problemas das organizações que necessitam ser resolvidos diariamente e a economia global.

Não podemos forçar a colaboração, mas podemos esperá-la. As habilidades necessárias estão postas e precisam ser desenvolvidas.

Capitalismo dará lugar à economia colaborativa

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DA FOLHA DE SÃO PAULO
Uma visão extrema: o capitalismo perderá a dominância e dará lugar à economia colaborativa, compartilhada, em meados do século 21.
O raciocínio é desenvolvido em “Sociedade com Custo Marginal Zero”, do economista norte-americano Jeremy Rifkin, que ensina executivos a tornar suas empresas sustentáveis na escola de negócios Wharton (da Universidade da Pensilvânia, nos EUA). O autor também publicou o best-seller “A Terceira Revolução Industrial”.
Para ele, o dinamismo e a eficiência produtiva do sistema, somados à evolução das máquinas, serão os responsáveis por seu colapso.
Rifkin aponta que o grande e constante avanço tecnológico possibilita um ritmo de produção cada vez mais acelerado, tornando o custo marginal –preço para produzir uma unidade a mais de determinado produto– muito próximo de zero. Assim, o acesso a tudo se torna mais fácil.
Com essa perspectiva, relata que lucros das corporações começam a diminuir, a ideia de propriedade vai se enfraquecendo e uma economia baseada em escassez é substituída por uma cena de abundância. As pessoas passam a compartilhar bens, desfrutam de produtos ou serviços, sem necessariamente comprá-los.
Para Rifkin, uma sociedade com essa característica torna-se um cenário ideal para promover o bem-estar geral, representando o triunfo do capitalismo e, ao mesmo tempo, a sua inevitável saída do palco mundial.
De acordo com o autor, “enquanto o mercado capitalista baseia-se no interesse próprio e é guiado pelo ganho material, os bens comuns sociais são motivados por interesses colaborativos e guiados por um profundo desejo de se conectar com os outros e de compartilhar”.
POSSE X ACESSO
Rifkin diz que, se a propriedade privada é a característica definidora de um sistema capitalista, então o automóvel particular é seu símbolo de status. Comparando novas gerações com a sua, o autor vê um decréscimo no número de jovens que dão extrema importância aos automóveis.
Ele destaca empresas como a Zipcar ou a City Car Share, nos EUA, cujo objetivo é disponibilizar veículos e estimular a ideia de acesso –não mais a posse.
A tendência de compartilhar tudo deve aumentar e, no futuro, chegar aos carros autônomos, sem motorista –por exemplo, os desenvolvidos pelo Google.
Além de veículos, casas, roupas e outros itens passam a ter evidência no compartilhamento e já têm impacto na economia, aponta o autor.
“A busca do interesse próprio está sendo moderada pela pressão de interesses colaborativos, e o tradicional sonho de enriquecimento financeiro está sendo suplantado pelo sonho de uma qualidade de vida sustentável”, escreve o autor.
TRABALHO
A Tecnologia, Que Faz Alcançarmos Baixos Custos Na Produção Marginal, Também Afeta O Mercado De Trabalho.
Internet Das Coisas (Objetos Interconectados Que Geram Benefícios Para O Cotidiano), Big Data(Coleta E Análise De Muitos Dados), Algoritmos, Inteligência Artificial E Robótica Ajudam Na Substituição Da Mão De Obra Humana Nos Setores Mais Variados, Aponta Rifkin.
A perspectiva levantada por ele é de centenas de milhões de pessoas sem emprego na primeira metade do século 21. Mas a substituição de pessoas por máquinas não é exatamente motivo para pânico, de acordo com o autor.
Rifkin enxerga oportunidades para empreendedores sociais e empregos em organizações sem fins lucrativos.
Há outras chances em um meio conectado com a internet das coisas, que o autor considera a alma gêmea do modelo emergente de bens comuns.
Com auxílio de impressoras 3D, por exemplo, as pessoas passam a ser “prosumidores”, ou seja, produtores e consumidores ao mesmo tempo –de uma simples caneta a um móvel.
Jeremy Rifkin assume ter uma posição ambígua em relação ao capitalismo. Para ele, o sistema foi o mecanismo mais ágil e eficiente para organizar a economia no passado. Mas ele não lamenta o fim do regime.
Rifkin enxerga oportunidades para empreendedores sociais e empregos em organizações sem fins lucrativos.
Há outras chances em um meio conectado com a internet das coisas, que o autor considera a alma gêmea do modelo emergente de bens comuns.
Com auxílio de impressoras 3D, por exemplo, as pessoas passam a ser “prosumidores”, ou seja, produtores e consumidores ao mesmo tempo –de uma simples caneta a um móvel.
Jeremy Rifkin assume ter uma posição ambígua em relação ao capitalismo. Para ele, o sistema foi o mecanismo mais ágil e eficiente para organizar a economia no passado. Mas ele não lamenta o fim do regime.

Projeto cooperativo entrega refeições para moradores de rua

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Na vida do casal Joelma e Silvio Zequinão, o fim de semana não foi feito pra descansar, mas sim para cooperar com quem precisa. Isso porque eles são os criadores do projeto Vida no Prato, que, aos sábados e domingos,oferece refeições completas para pessoas em situação de rua, nas cidades de Curitiba e São José dos Pinhais, no Paraná.

A ideia surgiu na ceia de Natal de 2014, quando os dois conversavam sobre o aumento de iniciativas solidárias e doações de cestas básicas nesse período festivo. Foi aí que eles pensaram: “E no resto do ano, ninguém come?”. Assim, no mês seguinte, Joelma e Silvio já estavam na rua para fazer a primeira entrega.

Depois de quase um ano do início das atividades, o casal conta hoje com a colaboração de um time de voluntários, que preparam os alimentos e também fazem entregas. No último dia 22 de novembro, por exemplo, o projeto entregou cerca de 100 refeições com arroz, feijão, carne com batatas e suco natural de maracujá.

Iniciativa inspiradora, não é? Se você conhece mais histórias de cooperação parecidas com essa, conte pra gente nos comentários!

 

Fonte: Tribuna Regional.

O modelo de casas compartilhadas começa a ganhar força

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Na onda do ‘coliving’, cariocas adotam uma nova forma de morar

RIO – Mãe e filha, Andreia e Lara Gama moravam desde sempre num apartamento de 80 metros quadrados em Laranjeiras. Até que, em janeiro deste ano, as duas resolveram se mudar para uma mansão de 700 metros quadrados, no vizinho Cosme Velho. O novo endereço tem jardim, piscina, churrasqueira e outros sete moradores que, como elas, decidiram experimentar a vida numa casa compartilhada. Cada um tem seu quarto, enquanto copa, cozinha, sala, lavanderia e área de lazer são usadas por todos. As tarefas domésticas são divididas, assim como as contas de luz, água e gás.

— Ficamos ricas sem precisar ganhar na Mega Sena. Ganhamos em qualidade de vida, claro, mas principalmente em conteúdo, espiritualidade, diversidade — enumera Andreia, socióloga de 47 anos, que alugou o apartamento de Laranjeiras para um amigo francês de passagem pela cidade.

 

Estudante de dança, Lara, 19, completa:

— Antes, eu morava no apartamento da minha mãe, com as regras dela. Sinto que essa casa é mais minha. Tenho maior poder de escolha. E a família cresceu. Quando tenho uma questão com a minha mãe, converso com algum dos meninos.
Enquanto termina de se arrumar para trabalhar em sua suíte, localizada no mesmo corredor onde fica o quarto da filha (são nove dormitórios divididos em dois andares), Andreia vai além.
— Quando morávamos sozinhas, eu tinha que falar para a Lara lavar a louça e reclamava quando chegava tarde. Aqui, deu uma diluída. Tenho outros focos. E minha filha participa de todas as atividades. Acho que viver numa casa compartilhada deveria ser uma escola para todos os adolescentes de classe média do Rio de Janeiro — opina.
O estilo de vida em voga é inspirado num movimento que nasceu na década de 1970, na Dinamarca, e foi oficialmente batizado como “cohousing” pelo arquiteto Charles Durrett, nos idos de 1988, na Califórnia. Bem popular nos Estados Unidos e em diversos países da Europa, as comunidades urbanas começaram a ganhar força no Brasil em 2013, inciando por São Paulo. No Rio, pipocaram no último ano, da Zona Sul à Zona Norte. E a tendência, também chamada “coliving”, dizem os especialistas no tema, é de crescimento.
Numa primeira olhada, o esquema lembra a logística das repúblicas estudantis, mas basta tomar um café com um dos adeptos para entender que economizar a grana do aluguel não é a questão central. Trata-se de uma opção feita por pessoas de todas as idades, amigos, amigos dos amigos, casais, irmãos, mães e filhas. A maioria é formada, pós-graduada e bem-sucedida profissionalmente. O objetivo é compartilhar experiências e viver da forma mais sustentável possível.
— O que está acontecendo hoje é um movimento mundial muito lindo, uma transição para outro modo de habitar o planeta. Há um anseio humano em recuperar o que foi sugado pelo sistema. É uma transformação onde tecer vínculos comunitários é essencial — analisa a arquiteta e pesquisadora Lilian Lubochinski, fundadora de uma consultoria chamada Cohousing Brasil.

 

Os vínculos comunitários são tecidos diariamente na residência que Andreia e Lara compartilham com Bruno Rosostolato (economista), Elisabete Amorim (massoterapeuta), Micael Hocherman (diretor de fotografia), Sadhana Sokol (antropóloga), Thiago Saldanha (produtor cultural) e Washington Ferreira (produtor editorial), e que ganhou o nome de “acasa”. Logo na entrada, um cartaz aponta as regrinhas básicas: de “Tire seus sapatos” a “Traga coisas boas, leve coisas boas”. Dicas de boa convivência são espalhadas por todos os cantos. O lema, escrito num papel roxo, é “Ajude a manter todos os espaços limpos e harmônicos: se encontrar uma tarefa, ela é sua”. Na cozinha, um quadro mostra quem é o responsável pela reposição de produtos de limpeza, pela retirada da cesta de orgânicos, por fazer o pão de cada dia.
Para apoiar a gestão consensual do espaço, são estudados os conceitos da Sociocracia e do Dragon Dreaming, que visam uma organização não hierárquica, horizontal e colaborativa. Para completar, de 15 em 15 dias, os moradores d’acasa se reúnem num grupo de Comunicação Não Violenta (CNV), método desenvolvido pelo psicanalista americano Marshall Rosenberg, que apoia o estabelecimento de relações de parceria e cooperação com base na empatia.
— Morando conjuntamente, as fundações da casa não são as pilastras de concreto. São as relações. E, se as relações não estiverem bem, a casa desmorona — observa Thiago Saldanha, de 30 anos. — Viver de forma compartilhada é passar da lógica da escassez para a lógica da abundância.
Semana passada, o último morador a chegar foi Washington Ferreira, de 48 anos.
— Eu estava de saco cheio da individualidade. Vim em busca da coletividade, desse aprendizado — conta o baiano radicado em Minas Gerais, que há 12 anos morava num quarto e sala em Copacabana.
Massoterapeuta, a carioca Elisabete Amorim, de 30 anos, conversava com um cliente sobre a vontade de viver em comunidade quando ele comentou que era dono de uma casa fechada há dois anos, que não conseguia vender. Ela falou sobre a possibilidade de alugar a propriedade com amigos, esses amigos sondaram outros amigos, os interessados fizeram uma reunião e, em um mês, nasceu acasa.
— É um desafio diário, um resgate das relações que ficaram perdidas. Em grupo, você se depara com várias questões que fugiria se estivesse sozinha num apartamento. Os outros são nosso espelho. E isso acelera o processo de autoconhecimento — avalia Elisabete.
Nova-iorquina baseada no Rio, a antropóloga Sadhana Sokol, de 32 anos, concorda:
— Fácil, não é. Mas há um alinhamento que facilita a harmonia da casa.
Quando há conflito, tudo se resolve na base da conversa. Na roda de Comunicação Não Violenta ou no grupo do WhatsApp.
As dificuldades não impedem o encantamento pelo lugar. Há fila de candidatos a morador. Sábado passado, durante a abertura oficial d’acasa, ouvia-se repetidamente a frase “Também quero morar aqui”. Foi um dia de programação intensa, com “Meditação para o novo Brasil”, na sala de estar, e apresentação do grupo Tambores de Olokun, no quintal.
— Abrimos a casa para mostrar que é possível resgatar esse espírito comunitário mesmo habitando grandes centros urbanos. Existem muitos imóveis ociosos no Rio. Esperamos que o nosso projeto possa dar ânimo à criação de outras casas coletivas na cidade — explica Thiago Saldanha.
A inauguração da casa foi produzida por moradores e colaboradores, com contribuição voluntária de 300 convidados.
— Além de festas, promovemos workshops. Almejamos que um dia acasa seja autossustentável — diz Bruno Rosostolato, economista de 35 anos.

 

Atividades culturais com renda vertida para investimentos internos são um denominador comum nas casas compartilhadas do Rio. Na Legalaje, localizada na Avenida Niemeyer, rola de um tudo, de shows de mantra a rave. No fim do mês, os moradores vão promover um bazar. São vasinhos de suculentas, mandalas, bolsas e até uma linha de cuecas samba-canção: tudo produzido na casa pelos próprios.
Foi o gosto por moda e por design que uniu a paulistana Paloma Christiansen, o carioca André Felipe Bispo e os mineiros Marcela Santiago e Francisco Rath, o Kiko — todos com seus 20 e poucos anos. Sinal dos tempos, os quatro se conheceram através das redes sociais.

 

—Eu seguia a Paloma no Instagram. Era fã do estilo dela. Acabamos virando amigas e ela me falou que tinha uma vaga na casa — conta Marcela. — O que nos une também é a paixão pelo Rio. Somos muito conectados com a praia. Eu não tinha condições de pagar aluguel de um apartamento de frente para o mar sozinha. Juntos somos mais fortes.
O quarteto e as agregadas oficiais, Fernanda Bradaschia e Madalena Godinho, continuam abastecendo as redes, agora com a hashtag #legalaje.
— Caprichamos na cenografia dos eventos que rolam na nossa laje, que já virou um point entre nossos amigos — conta André.
O sentido de comunidade surgiu de forma espontânea na casa. Os três andares, atualmente, são divididos em quatro apartamentos. E há determinados ambientes compartilhados, como a cozinha e a famosa laje.
O imóvel é propriedade do ator e fisioterapeuta Paulo Cesar Rocha, conhecido pelo personagem Paulo Cintura em “Escolinha do Professor Raimundo” (“Saúde é o que interessa, o resto não tem pressa”). O primeiro a chegar foi Kiko, namorado de Paloma.
— O nosso encontro é abençoado pelo Paulo Cintura. Todo dia de manhã eu convoco a comunidade para fazer ginástica na varanda — brinca Kiko, modelo e ator de 25 anos.
Enquanto modelos de coliving começam a ser ensaiados em solo carioca, estudos acadêmicos avançam sobre o tema. Integrante do movimento Cidades em Transição, a educadora Taisa Mattos, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), foi à Alemanha pesquisar sobre modos de vida sustentáveis.
— Visitei um antigo prédio, desocupado após a Segunda Guerra. Lá, cada núcleo familiar mora em seu quarto, com sala de TV, lavanderia e cozinha partilhadas — conta Taisa. — O coliving surge como uma proposta que pode dar certo mesmo num mundo em que as pessoas estão acostumadas a valores individualizados, pois a ideia é manter o espaço privado de cada um, só que de forma otimizada.
Maior autoridade em cohousing no Brasil, que viaja o país inteiro palestrando sobre o movimento, a arquiteta Lilian Lubochinski planeja construir, em breve, um empreendimento de casas compartilhadas focado no público da terceira idade, em São Paulo.
— É um trabalho com idosos que foram da geração hippie, que estão “envelhecentes” e em busca de soluções mais adequadas para dar conta da longevidade — explica a urbanista.
Por sua vez, a gestora de projetos carioca Gabriela Valente está desenvolvendo um coliving para “mães solo”, em parceria com a amiga Priscila Accioly. As duas têm filhas pequenas e frequentam espaços de economia colaborativa, como os de coworking, primo, aliás, do cohousing.
— O objetivo é levar essa discussão para o âmbito público, uma vez que se trata de uma solução coletiva para a cidade. Em Milão, por exemplo, a prefeitura concede isenção de IPTU para colivings — compara Gabriela. — No Rio, existe uma leva enorme de mulheres com vontade de ensaiar essa nova forma de convivência, essa nova forma de criar os filhos, com creches em casa e unschooling. Famílias mononucleares não são mais uma forma sustentável de se viver. Não é um plano. É a saída.
O alinhamento do processo de coliving com projetos de educação é a essência da Casoca, comunidade urbana criada há seis meses numa simpática vila na Tijuca. Dos seis moradores, quarto são educadores: Adriana Pereira de Almeida Salles, Ana Laura Macedo, Marcela Rosolia Matis e Mayara Gonçalves Vieira. Jovens de 20 e poucos anos, elas trabalham numa creche parental no Flamengo e num projeto de educação infantil no Cosme Velho.
— Começamos a desenvolver um projeto para trabalhar em casa também, pelo menos por dois dias na semana — conta Adriana. — Por que não trazer crianças aqui da Tijuca para a nossa casa e dividir com elas a experiência de se viver numa comunidade?
Os outros dois moradores são o cineasta Lucas Macedo, de 24 anos (que vem a ser irmão de Ana Laura), e a professora de ioga Natalia da Costa, de 26 (seu namorado, o animador André Perlingeiro, de 36 anos, é o agregado oficial da Casoca).
— Fizemos um casocamento ao entrar na casa. No ritual, lemos as nossas intenções — conta Ana Laura.
— E cada um plantou uma árvore na hortinha que temos no terraço — completa Adriana.
A Casoca tem cinco quartos: dois são individuais, dois são compartilhados e um é usado como sala de terapias. Todos os ambientes foram decorados com móveis doados ou reaproveitados. Paletes fazem as vezes de sofás e gavetas encontradas em caçambas, na rua, foram forradas com chitas para virar módulos de estante. Os seis dividem o aluguel e todas as contas, penduradas numa cortiça. Outro quadrinho elenca os responsáveis por cada espaço da área comum — cozinha, banheiro, sala.
— A cada mês, um de nós se candidata a ser guardião do dinheiro, guardião da limpeza, guardião da comida. A ideia é que seja rotativo para todo mundo experimentar tudo. Já tiveram alguns perrengues, claro, principalmente com comida. Dois meses atrás, a casa ficou totalmente desabastecida — conta Ana Laura. — Eu tive um conflito e, como estava lendo Paulo Freire, que fala da muito da mudança através da revolta, escrevi um texto desaforado no nosso grupo do WhatsApp. Deu certo: fizemos reunião na mesma noite e resolvemos o problema.
Ana Laura conta a história enquanto é atentamente observada pelos demais moradores.
— Por mais que pareça complicado, com várias reuniões e divisões de tarefas, o objetivo da comunidade é simplificar a vida — ela diz.
Adriana pede a palavra:
— Te fortalece muito dividir as questões diárias com outras pessoas. É uma força mesmo, diante de tantos problemas que estamos vivendo no país. A sensação é que podemos crescer juntos.
O grupo se uniu após viver uma experiência em Piracanga, ecovila localizada em Itacaré, na Bahia. Cada um passou uma determinada temporada lá (de um a seis meses).
— Os jovens saem de Piracanga empoderados, com um potencial de criação muito grande e com vontade de mudar o mundo mesmo — empolga-se Ana Laura.
Líder da Comunidade Tribo Inkiri de Piracanga, Angelina Ataíde esteve no Rio para uma palestra, mês passado, e ficou orgulhosa quando soube da criação da Casoca.
—Em Piracanga, além de vivermos em comunidade, oferecemos oportunidades para que outras pessoas venham para cá e tenham uma experiência de vida comunitária. São práticas muito transformadoras — enfatiza Angelina. — O que me encanta muito é a energia e o potencial de transformação dos jovens. O processo para eles é muito rápido e eles têm muita força de vontade para colocar em ação. A Casoca é um exemplo de comunidade urbana que nasceu inspirada por pessoas que passaram por Piracanga e hoje vivem seu sonho de comunidade na cidade inspirando mais pessoas nesse processo de transformação. A base de todo esse movimento de comunidades intencionais e casas compartilhadas é um despertar da humanidade para o valor da união. Essa é a base de uma nova humanidade que já surgiu e está se consolidando cada vez mais em diversas partes do planeta — diz.
Diretor do documentário “Ecovilas Brasil”, o carioca Rafael Togashida tem uma teoria singular para o movimento:
— A primeira grande virada acontece quando a humanidade deixa de ser nômade e começa a criar assentamentos praticando a agricultura. A segunda é a Revolução Industrial. E a terceira é agora, a era da colaboração. A primeira aconteceu em milhares de anos, a segunda em gerações e a terceira vai acontecer muito rápido, estima-se que em 20 a 30 anos. Na verdade, já está acontecendo.

A próxima fronteira da economia compartilhada é o conhecimento

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Apesar da necessidade de melhorias estruturais, o compartilhamento de conhecimento tem a vantagem de não se restringir à geografia ou ao tempo

 

 

Texto de Sérgio Agudo

A mais célebre frase do filósofo grego Heráclito diz que “nada é permanente, exceto a mudança”. De fato, a mudança sempre foi uma constante na história da humanidade. A principal diferença entre o agora e o passado, é a velocidade com que ocorrem essas mudanças. Por exemplo, a transformação estrutural em nossa economia está ocorrendo em meses, ao invés de décadas. A tecnologia está motivando diretamente as mudanças em diversos âmbitos. Essa tecnologia é diferente, multifacetada e vem promovendo profundas transformações em escala global.

A economia compartilhada está, já há algum tempo, por toda parte, motivada por inúmeras pessoas que estão online graças aos dispositivos móveis e o crescente acesso à banda larga, especialmente no Brasil. O primeiro ciclo da economia compartilhada envolvia empresas como a Airbnb e a Craigslist, que ajudaram as pessoas a compartilhar bens e ativos. No momento seguinte, a economia do compartilhamento passou a acontecer no campo das habilidades gerais, como dirigir, montar móveis ou fazer compras de supermercado. No momento atual, estamos entrando em um novo ciclo desta economia: o do compartilhamento de conhecimento.

A evolução da economia compartilhada está diretamente ligada à inovação em tecnologia

A exemplo de movimentos econômicos anteriores, a economia compartilhada se iniciou com mão de obra e ativos materiais. Muitos de nós tínhamos tempo ou bens para compartilhar, como casas e carros. Já no campo dos serviços compartilhados aparecem a montagem de móveis, a execução de tarefas manuais, o fornecimento de transporte e outras atividades facilmente realizadas pela mão de obra local, utilizando tempo e algum talento. Empresas envolvidas na economia compartilhada passaram a ser uma opção para quem estava sem trabalho ou em busca de melhoria nos salários e/ou no ambiente de trabalho.

O movimento econômico da vez exige mais inovação em tecnologia. Para começar, como é possível criar o fornecimento de conhecimento? Diferente dos que compartilham um carro ou uma casa, aqueles com conhecimento a ser compartilhado precisavam de novas maneiras de transmitir seu conteúdo para o mundo. Plataformas online para esse serviços precisam de melhor largura de banda para facilitar a criação e o compartilhamento de áudio e vídeo com qualidade. Maneiras mais fáceis e acessíveis de se produzir material vídeo também são necessárias.

Apesar da necessidade de melhorias estruturais, o compartilhamento de conhecimento tem a vantagem de não se restringir à geografia ou ao tempo. Por exemplo, um instrutor de uma plataforma global de ensino pode ter muitos alunos no mundo todo, matriculados ao mesmo tempo em um único curso. Já para fazer compras de supermercado ou compartilhar uma corrida de táxi é preciso ter contato com alguém próximo e disponível em determinado momento.

Compartilhando conhecimento no Brasil

Um movimento econômico totalmente baseado no compartilhamento de conhecimento abre uma infinidade de oportunidades para pessoas do mundo todo. Em tempos de recessão e em um mercado cada vez mais competitivo, iniciar uma carreira como instrutor, ensinando o que se sabe fazer de melhor, mesmo sem ter experiência como professor, tem se mostrado uma opção viável e lucrativa.

Com diversas empresas de aprendizado online à disposição, qualquer pessoa com um dispositivo móvel ou uma conexão com a Internet pode tomar a iniciativa de compartilhar conhecimento.

(*) Sergio Agudo é diretor de mercado para o Brasil da Udemy

Site troca brinquedos e estimula o consumo colaborativo

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Fonte: SP Cidade Gentil

Trocar brinquedos pode ser uma ferramenta lúdica para educar as crianças sobre a ressignificação dos objetos e dos valores deles. Pensando nisso, a atriz Carolina Guedes, 33, criou há dois anos o projeto Quintal de Trocas, em São Paulo.

Junto com uma equipe formada por psicólogos, jornalistas, artistas e artesãos, Carol lançou um site no qual pais e crianças podem trocar brinquedos. A plataforma virtual estreou em fevereiro de 2014, e já virou um sucesso em todo o país.
“No Dia das Crianças de 2013, levei minha filha, Beatriz, para uma feira de brinquedos que aconteceu na avenida Paulista. Eu não queria comprar um presente, queria outras possibilidades. E fiquei muito encantada ao ver crianças e adultos brincando juntos, na rua, na cidade, não dentro de shoppings”, lembra Carol.
“Nessa feira, as crianças negociavam entre elas os brinquedos, e percebi que a noção de valor para elas é outra. Negociavam, por exemplo, pelo tamanho do brinquedo. E ali vi crianças tímidas serem respeitadas no seu tempo e até crianças que queriam trocar, mas na hora desistiram. Havia uma riqueza por trás daquilo tudo: aprender a negociar, a se comunicar e a economizar. E vi a criança com autonomia”, conta ela.
A partir daí, Carol decidiu ampliar a possibilidade desse “mercado”, transformando-o em uma plataforma online. A atriz investiu na criação da página Quintal de Trocas e se surpreendeu com a fama do projeto. “Foi um boom. Virou sucesso, tornou-se meu trabalho diário”, comemora.
Para “comprar” um brinquedo no site é bem fácil, e não precisa de dinheiro. Primeiro, a criança localiza em casa os brinquedos que quer doar. Os pais fazem fotos e enviam para o site. Depois, é só escolher no site um brinquedo para trocar pelo seu, escrever uma cartinha virtual e aguardar. Oferta aceita, a equipe do Quintal de Trocas dará as coordenadas sobre a troca. Há duas opções: ou o brinquedo é enviado pelos Correios ou recolhido em um ponto físico (há uma lista no site).
“A gente não tem um trabalho especifico de reciclagem, mas de concentração sobre a compra de um produto. Estimulamos a criança a saber de onde vem a mão de obra desse trabalho, quais os materiais usados, a maneira correta de descartar — ou se ele é reciclável. Sobretudo, promovemos um estímulo ao consumo consciente e compartilhado”, diz Carolina Guedes.
O conceito de consumo compartilhado ou consumo colaborativo propõe que o acesso a bens e serviços possa existir sem implicar necessariamente na aquisição de um novo produto. Assim, compartilhar, emprestar e alugar se tornam alternativas ao verbo comprar. E todos saem ganhando.

Economia Colaborativa: a tendência que está mudando o mercado

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Você se lembra de quando falamos, por aqui, sobre o fim da “era lucrozóica”? Sobre como o capitalismo consciente tem transformado a economia global, que aos poucos deixa para trás o princípio perverso do hiperconsumo e do sucesso financeiro a qualquer custo? Sim, o tal do impacto social vem mudando a forma como vivemos e,principalmente, como fazemos negócios.
O movimento da economia colaborativa (compartilhada ou em rede, como a chamam alguns) nada mais é do que a concretização dessa nova percepção de mundo. Representa o entendimento de que, diante de problemas sociais e ambientais que só fazem se agravar, a divisão deve necessariamente substituir o acúmulo. E o tremendo sucesso de empresas que facilitam o compartilhamento e a troca de serviços e objetos é prova de como a adesão à tendência está longe de atingir um ápice. Uber, Airbnb e tantas outras que o digam.
A vida compartilhada
Seja para poupar ou mesmo para levantar alguma renda extra, hoje praticamente não há limites para o compartilhamento. O fotógrafo paranaense Gustavo Benke, mencionado nesta matéria da Exame, é exemplo disso.
Acostumado a receber, na sua casa de Curitiba, parentes, amigos e amigos de amigos, Gustavo decidiu adotar o mesmo estilo de vida na casa que aluga em Florianópolis, onde estuda. A divisão do espaço traz benefícios para todo mundo: os hóspedes economizam com a estadia, a alimentação e tudo mais, e Gustavo recebe ajuda nas despesas. Ele também tem o hábito de trocar serviços fotógráficos por bens ou serviços de que necessita.
Mas basta uma rápida pesquisa para você perceber que esse estilo de vida não tem nada de novo. De acordo com Tomás de Lara, cofundador da Engage, além de co-fundador do Catarse, o fenômeno da economia colaborativa é ancestral: “povos indígenas e comunidades já tinham isso de compartilhar, de acessar as coisas dos outros, de trocar”, diz ele nesta websérie.
A novidade é a forma massiva como o fenômeno passou a ocorrer em meados de 2008, 2009, graças aos avanços tecnológicos.“A partir dali, todo mundo, de forma muito rápida e quase que barata, pôde fazer transações e se geolocalizar, se encontrar e saber da melhor forma de se usar um recurso”.
Poder social sem precedentes
Desde então, a Internet 2.0 vem permitindo que a população global assuma um “poder social” como jamais aconteceu antes. Graças à força da colaboração, transformações importantes ocorreram e vêm ocorrendo: novas empresas nasceram, outras grandes deixaram de existir e até ditadores foram removidos do poder.
A Primavera Árabe é um exemplo disso. Assim como Gustavo Benke escolheu compartilhar sua casa, o egípcio Mahmoud Sharif resolveu se levantar contra o longevo e repressivo regime de Hosni Mubarak. Graças a uma imensa rede de compartilhamento, juntou-se a milhares de pessoas na Praça Tahrir, e os resultados são conhecidos.
Um furo na parede em vez de uma furadeira
Os exemplos acima ilustram o imensurável alcance da economia colaborativa, sem dúvida. Mas o tema aqui não é geopolítica. Queremos, antes, que você tenha ideia da importância do assunto e que consiga aproveitar as oportunidades oferecidas nesse novo contexto, no qual as pessoas “não precisam mais de uma furadeira, mas de um furo na parede”, como diz Tomás de Lara.
Neste artigo do portal Entrepreneur, o Venture Capitalist Tx Zhuo lista boas práticas que podem te ajudar a nadar de braçada na economia colaborativa:
Mantenha baixos os custos fixos: de acordo com Zhuo, com o tempo, a tecnologia derrubará os custos em geral. Isso significa que as empresas bem-sucedidas serão aquelas que organizarem melhor suas estruturas financeiras. Diminuir o número de funcionários permanentes e terceirizar atividades periféricas podem ajudar;
Em vez de reinventar a roda, procure-a em parceiros: Zhuo dá o exemplo da ChowNow, empresa norte-americana que oferece gerenciamento de pedidos online a restaurantes. Em vez de construir sua própria plataforma de delivery, a ChowNow desenvolveu uma parceria com a Uber para realizar as entregas, e os resultados têm sido ótimos.
Foque no relacionamento de longo prazo: Zhuo conta que agora que as margens para compartilhamento são estreitas, as empresas precisam dar prioridade para relações duradouras com os clientes. Para isto, ele sugere proporcionar grandes experiências de consumo ao público.
Investindo em empresas que se complementam: o exemplo da Axial Holding
Por mais que os já mencionados Uber e Airbnb sejam exemplos de como essas boas práticas funcionam, ambos já foram objetos de muito estudo. Por isso, ao procurar por um case que represente o tema, preferimos abordar a questão a partir de outro viés: o offline. E por meio de um setor bastante competitivo de nosso país, o agronegócio.
Espécie de fundo de private equity focado em empresas e instituições do agronegócio orgânico, a Axial Holding tem um importante diferencial: o portfólio se auto-alimenta. Ou seja, as empresas investidas exercem atividades que se complementam, colaborando umas com as outras.
Por exemplo: na carteira da Axial está a Fazenda Tamanduá, de cultivo de produtos agrícolas e produção de pecuária orgânica. Caso precisem de micro-crédito, os produtores podem recorrer a outra empresa investida, o Instituto Estrela, que dá empréstimos a pequenos empreendedores individuais que não têm acesso ao sistema bancário convencional.
E se for necessário promover o melhoramento genético da soja, os agricultores podem contar com a Naturalle, empresa voltada à pesquisa da soja, além de produtividade, adaptação regional e resistência a pragas e enfermidades. Ao investir em empresas que colaboram entre si, a Axial está contribuindo para reformular a cadeia produtiva do setor de orgânicos. E um dos mais significativos resultados desta filosofia é a Rio de Una, outra aposta do fundo.
A empresa atua no processamento (lavagem, corte, higienização e embalagem) de frutas, legumes e vegetais (tanto orgânicos quanto convencionais). E a filosofia colaborativa está na essência dos processos, já que os mais de 120 pequenos agricultores familiares que compõem a base produtiva da Rio de Una recebem assistência técnica e têm a compra de sua produção garantida o ano todo.
Pela planta industrial da empresa passam mensalmente mais de 200 toneladas de hortaliças e legumes, que são transformados em saladas e atendem o mercado de varejo e foodservice em todo o Brasil. Ou seja, os princípios da economia colaborativa estão influenciando toda uma cadeia não apenas de produção, mas de investimentos. É mais um sinal de que essa nova forma de fazer negócios – mais responsável e consciente – veio para ficar.
Prova disso também são as empresas que valem 17 bilhões de dólares, os 60 mil funcionários que elas empregam e os 15 bilhões de dólares que receberam de investimento (de acordo com este artigo da Forbes). E, a julgar pelo interesse do público em geral, esse bolo só tende a crescer. Que tal se preparar para pegar uma fatia?